


Em defesa da vida! Lideranças e palestrantes discutem a prevenção do assédio laboral e as urgências no combate à violência de gênero
No mês dedicado à memória das vítimas de acidentes e doenças do trabalho (Abril Verde), o Sindicato do Fisco de Sergipe (SINDIFISCO/SE), a Cassind e o Sinagências realizaram o seminário "Trabalho mais saudável e seguro para todos e todas". O evento, ocorrido no último dia 23 na sede do SINDIFISCO, reuniu diversas categorias para refletir sobre saúde e segurança no ambiente laboral, com foco em saúde mental, prevenção ao assédio e combate ao feminicídio.
A mesa de abertura foi composta pelo presidente do SINDIFISCO, José Antônio; o presidente da Cassind, Ricardo Oliva; a diretora de Gênero do SINDIFISCO, Solange Silva; a representante do Sinagências, Lúcia Carregosa e a vereadora Sônia Meire (PSOL). Lideranças sindicais como Aparecido Santos (CTB), Rosângela de Jesus (Bancários) e Maria da Pureza Sobrinha (UBM) também prestigiaram a atividade.
Os anfitriões destacaram o papel fundamental dos sindicatos na promoção de debates que atravessam tanto o setor público quanto o privado. Após as saudações iniciais, as palestras foram coordenadas por Solange Silva.
Impactos da saúde mental
A psicóloga Edimeire Rocha abriu o ciclo de palestras abordando "Os impactos da saúde mental no contexto do trabalho". Em sua fala, ressaltou que a saúde mental é "a parte que ninguém vê, mas todos sentem", destacando a autorresponsabilidade conforme diretrizes da OMS. Edimeire apresentou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que torna obrigatório o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Ela lembrou que, a partir de 26/05/2026, a nova redação da norma exigirá o controle rigoroso de riscos psicossociais, como estresse, burnout e assédio.
Assédio no serviço público
Lúcia Carregosa, especialista em Saúde e Segurança do Trabalho, tratou do tema "Assédio no serviço público: identificação e prevenção". Segundo a palestrante, o assédio produz impactos profundos que vão da sobrecarga à depressão. Ela alertou que, embora estruturas rígidas dificultem denúncias, o ordenamento jurídico já prevê punições severas, incluindo demissão. Carregosa reforçou que a responsabilidade é das organizações que se omitem e defendeu uma transformação cultural baseada na gestão ética e na proteção às vítimas.
Ergonomia e Saúde Mental
A ergonomista Liliane Pereira, embaixadora da Reliza em Sergipe, demonstrou a conexão entre ergonomia e bem-estar psíquico. Segundo ela, as ergonomias cognitiva e organizacional atuam diretamente nos fatores que causam ansiedade e esgotamento. "Ambientes mal planejados geram não apenas dores físicas, mas uma carga mental excessiva", pontuou. Liliane destacou que a integração da NR-1 com a NR-17 será um marco para a segurança e o bem-estar organizacional.
Enfrentamento ao Feminicídio
O encerramento ficou a cargo da médica, professora da UFS, pós-doutora pela Universidade Nova de Lisboa, Cátia Justo. Com o tema "Feminicídio: causas e perspectivas no enfrentamento", ela promoveu uma reflexão sobre a realidade do "feminicídio estrutural". Através de uma aula dialogada, a professora da UFS provocou os participantes a diagnosticarem as causas e as formas de enfrentar o problema, apresentando alternativas baseadas na literatura e na prática dos movimentos sociais.
Por Déa Jacobina Ascom do SINDIFISCO/SE