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Sindifisco, 19/10/2026

QUE BRASIL NÓS QUEREMOS?

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E o Brasil que queremos e que deixaremos para nossos filhos e netos será consequência das escolhas que faremos no próximo dia 25

 

 

No próximo dia 25 de outubro de 2026, decidiremos quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos. Não estaremos simplesmente diante de uma escolha; decidiremos, sobretudo, qual Brasil queremos.

 

Esta eleição não deve se resumir à escolha do candidato A ou do candidato B, à preferência ou à rejeição por determinada liderança, muito menos à velha disputa entre direita e esquerda. A questão central é outra: qual modelo de país queremos construir e que sociedade queremos e estamos dispostos a legar às próximas gerações?

 

De um lado, temos uma proposta econômica que, segundo informações divulgadas pela imprensa, prevê um corte de aproximadamente R$ 250 bilhões. Integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro já declararam que os ajustes serão feitos por meio da desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo e de alterações nos investimentos em saúde e educação.

 

E quem pagará essa conta? A resposta é clara: o açoite bradará nas costas dos aposentados, trabalhadores, servidores públicos e usuários dos serviços essenciais. Portanto, essa escolha política vai muito além da responsabilidade fiscal.

 

O chamado “tesouraço” do candidato Flávio foi inspirado na política de cortes promovida por Javier Milei na Argentina, que atingiu principalmente as aposentadorias, as obras públicas, os programas sociais, os salários do funcionalismo e as transferências de recursos às províncias.

 

Mas não é apenas na política econômica que reside o problema. A preocupação aumenta quando o projeto defendido pela extrema direita, representada pelo candidato Bolsonaro, vem acompanhado de um projeto político que coloca em xeque as instituições democráticas e a imprensa, deslegitima adversários e trata os mecanismos de fiscalização do poder como obstáculos a serem eliminados.

 

A escolha definirá quem deverá suportar o peso do equilíbrio das contas públicas: aqueles que já enfrentam dificuldades para sobreviver, o chamado “andar de baixo”, ou os setores que historicamente concentram renda e privilégios, o “andar de cima”?

 

É nesse ponto que a comparação com o governo Lula se torna importante. O terceiro mandato de Lula não está acima de críticas. Seu governo pode e deve ser questionado por escolhas fiscais, alianças políticas, problemas de gestão e eventuais excessos do poder público. Nenhum governante deve receber um cheque em branco, independentemente de sua orientação ideológica.

 

Entretanto, é preciso reconhecer diferenças importantes entre os períodos recentes da política brasileira. Durante o governo Bolsonaro, o país testemunhou ataques reiterados ao sistema eleitoral e à imprensa, confrontos com o Supremo Tribunal Federal e uma escalada de desconfiança institucional que culminou em uma clara tentativa de golpe de Estado nos atos promovidos em 8 de janeiro de 2023.

 

O alerta, portanto, não é contra a proposta de austeridade, mas, sim, para o risco de que um programa de redução do Estado, combinado com o enfraquecimento de direitos sociais e com ataques aos demais Poderes, às instituições de controle e à imprensa, possa abrir espaço para uma concentração de poder incompatível com uma democracia saudável.

 

Uma democracia não desaparece necessariamente de um dia para o outro. Ela pode se desgastar gradualmente quando direitos são reduzidos, órgãos de fiscalização são enfraquecidos, a imprensa independente é hostilizada e a oposição passa a ser tratada como inimiga, dando espaço ao surgimento de regimes totalitários.

 

É por isso que devemos olhar não apenas para as promessas econômicas, mas também para o compromisso efetivo de cada projeto político com as regras democráticas.

 

Que Brasil nós desejamos e deixaremos para nossos filhos e netos?

Queremos um país em que a aposentadoria represente segurança depois de uma vida inteira de trabalho, e não uma promessa cada vez mais distante.

 

Queremos um país em que a saúde e a educação públicas sejam tratadas como investimentos no futuro, e não simplesmente como despesas a serem eliminadas.

 

Queremos servidores públicos protegidos contra perseguições políticas, instituições independentes e uma imprensa livre para investigar, criticar e denunciar.

 

Queremos um Brasil que dialogue com os Estados Unidos e com todas as nações, mas que tome suas decisões de acordo com os interesses do povo brasileiro, preservando sua soberania.

 

Queremos um país em que o equilíbrio das contas públicas não seja buscado à custa dos mais vulneráveis.

 

Não se trata de defender Lula incondicionalmente, tampouco de demonizar todos os que pensam de maneira diferente, mas de reconhecer que projetos políticos têm consequências concretas sobre a nossa vida e sobre a vida de todas as pessoas e que nem toda mudança representa progresso.

 

O país precisa de responsabilidade fiscal, eficiência administrativa e combate à corrupção, mas precisa igualmente de justiça social, serviços públicos de qualidade, garantia de direitos trabalhistas, redução das desigualdades e respeito inegociável à democracia.

 

O verdadeiro desafio não é escolher entre um Estado eficiente e um Estado social, mas, sim, construir um Estado que seja eficiente sem abandonar aqueles que mais precisam dele.

 

O voto não escolhe apenas um presidente. Ele ajuda a definir o rumo de uma nação.

 

E o Brasil que queremos e que deixaremos para nossos filhos e netos será consequência das escolhas que faremos no próximo dia 25.
 

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