Organizado pela CTB Nacional, curso reúne em Sergipe 172 lideranças sindicais para debater conjuntura e direitos
Uma comitiva de auditores e auditoras fiscais de Sergipe está entre os dirigentes de 30 entidades sindicais de Alagoas, Bahia e Sergipe que participam do Curso de Formação Sindical do Nordeste 2026. A atividade foi organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e pelo Centro Nacional de Estudos Sindicais (CES). O curso acontece hoje e amanhã, 14 e 15 de março, na sede do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE).
Entre os temas centrais, o professor e advogado José Geraldo Santana Oliveira abordou "Direitos Trabalhistas e Sindicais" e "Direitos Previdenciários". Já o presidente da Federação dos Metalúrgicos da Bahia e diretor do CES, Aurino Pedreira, expôs sobre "Gestão Sindical Classista".
O presidente do SINDIFISCO/SE, José Antônio, ressaltou a importância do preparo intelectual: "O sindicalista tem que ter o preparo de entender o mundo e a gestão sindical. Este curso prepara o dirigente para conduzir o sindicato da melhor forma, tanto administrativamente quanto na visão política de como funciona a sociedade. O professor José Geraldo mostrou uma experiência vasta; é a pessoa certa para trazer esse ensinamento", afirmou.
Do SINDIFISCO/SE também estavam os diretores Nilson Oliveira (Formação Sindical), Solange Silva (Gênero), Francisco Antônio de Rezende (Política Social) e o auditor Roberto Paes.
A diretora Silva, destacou a necessidade de os sindicatos promoverem esse tipo de evento para que as categorias acompanhem as atitudes do Congresso Nacional contra os serviços públicos. Ela também pontuou a questão do recorte de gênero: "Destaco a participação de mulheres neste curso, porque, diferente dos homens, há um bloqueio para a participação feminina devido à dupla jornada e tarefas domésticas. A jornada da mulher é bastante complicada e isso, muitas vezes, atrapalha a presença feminina no movimento sindical".
Visão estratégica e consciência de classe
Aurino Pedreira afirmou que o CES, instituição organizadora da formação, previa a inscrição de diversas categorias e que a maior preocupação dos participantes é o atual momento político. "Há uma grande perspectiva sobre o processo eleitoral que se aproxima e o papel do dirigente, da organização sindical e das centrais nesse momento decisivo. Entendemos que existe uma ansiedade dos trabalhadores em encontrar respostas. O que poderemos fazer? Como devemos agir em cada categoria? Claro que a luta e a preservação dos direitos são importantes, mas a prioridade hoje é entendermos que o momento exige consciência da classe trabalhadora para identificar que o país não vive apenas uma troca de cargos, mas uma mudança de rumo", pontuou Aurino.
A representante do CES, Inalba Fontenelle, destaca outro aspecto revelador relativo à formação sindical, que se refere à política de reconstrução do que foi perdido com a reforma trabalhista. "Muitos direitos foram retirados e isso não penaliza apenas o trabalhador, penaliza o país, porque atrasa a cidadania e o amparo social. Dentro disso, temos as questões da terceirização, pejotatização e outros pontos que têm impacto direto, principalmente na Previdência Social. É preciso revermos que a Previdência não é um bem individual, é um bem social. A luta que hoje tenta jogar os trabalhadores contra o regime da CLT serve justamente para justificar a falta de amparo e de respeito aos direitos".
O papel do movimento sindical nas eleições
Com 74 anos de idade, o professor José Geraldo declarou-se encantado com o engajamento dos sindicalistas: "Esta formação específica é essencial. Eu a resumiria em uma palavra: espetacular. Temos aqui 30 entidades sindicais de três estados distintos, com 172 inscritos. Isso é uma demonstração inequívoca de que o movimento sindical está atento aos desafios que a vida impõe e sabe que, sem formação, não é possível enfrentá-los. Amanhã completo 42 anos de magistério e estou encantado com o grau de consciência e a qualidade dos questionamentos apresentados aqui".
Sobre o momento atual, o professor foi enfático ao defender a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. "Tenho 74 anos e já vivenciei muitos momentos políticos. Sem dúvida, este é o mais desafiador, porque a eleição presidencial será um plebiscito. Vamos escolher se queremos a ordem democrática, o Estado Democrático de Direito e a justiça social — representados por Lula — ou se queremos o fascismo. Qualquer candidato da direita, seja Flávio Bolsonaro ou outros, representará um retrocesso de pelo menos um século. Quem gosta de democracia somos nós, os trabalhadores. O capital apenas a tolera quando não tem alternativa; se puder, ele a evita, pois não quer trabalhadores conscientes. O movimento sindical teve papel fundamental em 2022 e espero que saia às ruas novamente. Os sindicatos não podem ter medo: dizer sim à democracia é dizer sim à reeleição de Lula".
ASCOM do SINDIFISCO / Fonte: Portal da CTB